domingo, 7 de novembro de 2010

Descoberta



Sob a sua árvore favorita do parque, Isabella passava muitas de suas tardes. Normalmente ia até o local para se distrair e relaxar, especialmente depois de alguma das comuns brigas que aconteciam entre ela e sua avó. Mas aquele não era um dia como qualquer outro.
A família Porto era originária do Brasil, mas se mudaram para os EUA pouco tempo depois de Isa nascer. Nessa época, seu pai e seu avô, donos de uma gravadora, a 2plus2 Music, fecharam acordo com a famosa King song, e, por isso, mudaram-se para aquele país.
Durante toda a infância e adolescência, a menina aprendia as coisas em dobro: eram dois idiomas, duas culturas, dois tipos de música, duas tradições. Duas educações. Ao contrário do que aconteceria no Brasil, caso tivesse crescido em sua terra Natal, lá ela frequentava as aulas normais na escola, em Inglês, e, a tarde, tinha aulas particulares de Língua Portuguesa, Literatura, História e Geografia Brasileira. Sua família sempre quis preservar as raizes, principalmente porque a intenção de seu pai era retornar ao seu país de origem.E foi nesse momento que tudo começou a desmoronar no mundo de Isa.
O pai só contou à família que esta, formada por ele, a mulher, Geovana, e o irmão mais novo de Isa, Mike, voltaria ao Brasil quando tudo já estava acertado. Todos ficaram felizes, menos a menina. Ela vivera toda a sua vida naquele lugar; todos os seus amigos, seu lugares favoritos, sua escola querida, suas atividades, tudo estava ali. Como poderia largar tudo? Seria o fim!
Foram dias de choro e desespero até que alguém sugeriu que ela morasse com os avós. "Claro,como não pensei nisso antes??Será maravilhoso!".
Depois de um pouco de relutancia da mãe, algum drama do irmão e um "não sei não...isso não vai dar certo" do pai, ficou certo que tentariam, por um ano. Se não desse certo, Isa iria com eles para o Brasil.
A primeira semana foi maravilhosa!Isa ainda estava de férias e passou praticamente todo esse tempo fazendo o que mais gostava: passear com seus avós. Mas as aulas começaram. E a relação começou a ficar conturbada. Primeiro foram os horários de estudos. A avó, D. Marta, vivia dizendo "Minha neta, como pode ficar a madrugada toda estudando e passar a manhã dormindo?? Como podes perder esse belo sol?", ao que a menina simplesmente sorria e virava a cara para não brigar com a avó.
Depois,vieram as festinhas em casa e na casa das amigas, algo normal para a menina. A avó não aguentava o barulho do grupo em casa e também não queria Isa dormindo - ou ficando até tarde - na casa de outras meninas. Mas a gota d'agua foi no Halloween.
Acostumada com fantasias elaboradas e com as quais, junto com as amigas, podia assustar todos da vizinhança sem descobrirem quem ela era, Isa comprou metros de tecido preto e roxo e costurou durante toda a semana. Ela adorava criar suas próprias roupas! E detestava que alguém as visse antes que ficassem prontas. Sendo assim, só mostraria aos avós no dia 31. E o que aconteceu? Quase matou a sua avó de susto! D. Marta ficou branca, pálida e,claro,muito brava depois de reconhecer a neta por baixo de todos aqueles panos. "Bem, você tem que reconhecer que a nossa neta fez um excelente trabalho! Parabéns, Isa! Você tem futuro, menina!", disse seu avô, tentando acalmar a mulher e animá-la. Durante uma semana a avó comentou o assunto, reclamou e chegou a falar que as amigas eram má influêcia para ela. Coisas típicas de avó. Mas para uma adolescento com os hormonios a flor da pele como Isa, isso era mais do que motivo para fechar a cara. No quinto dia, ligou para os pais e avisou que, o mais rápido possível, mudaria-se para o Brasil com eles.Não aguentava mais aqueles velhos!
Voltou. Passaram-se três anos desde então. Em todas as vezes que encontrava os avós, Isa pouco conversava com D.Marta que, claro, sentia muita falta de sua netinha. Hoje, sentada sob a árvore, Isa chora. Busca consolo e distração. Mas não consegue tirar do pensamento o quanto poderia ter aproveitado mais a sua avó. O quanto poderia ter brincado, conversado, contado e ouvido histórias. Quanto ficara perdido no tempo! Hoje, as lágrimas não são de aborrecimento; são de tristeza. Acabara de sair do enterro da avó e sente como se, agora sim, seu mundo começasse a desabar. Mas esse desmoronamento não acabará. A frase de uma de suas músicas favoritas ecoa em sua mente, traduzindo o que sente: "Foi quando eu percebi, sem querer, que os ponteiros da vida não voltam pra ninguém"

terça-feira, 27 de abril de 2010

O olhar

O olhar. Esse seu olhar que me cativa, que me paraliza, que faz com que todo o meu corpo mude de atitude num momento. Ele está tão perto, lado a lado com o meu. Por que não se cruzam? Por que não se aproximam? Essa é a magia do olhar.
O olhar. Tão próximo e tão distante. Sempre que se aproxima, alguma força me distancia de ti. Reluto, brigo, tento enfrentar essa força por vezes tão forte que chega a ser profundamente dolorida. Mas ela me arrasta, afasta-me. Vejo seu olhar, cada vez mais afastado. Meu coração dói cada vez mais. Por que?
O olhar. Quanto mais perto, mais distante. Tê-lo ao meu lado só aumenta o meu desejo de te tocar, de te encontrar. Mas isso é impossível. Volte. Volte para onde saiu. Volte. Volte para sempre.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Deus, obrigada!

Deus, obrigada pela minha mãe e vó brigarem comigo todos os dias. É sinal de que elas estão comigo.
Deus, obrigada por minha mãe,mesmo contra a minha vontade, abrir porta e janela de meu quarto para me acordar. É sinal de que eu possuo uma moradia intacta para habitar.
Deus,obrigada por eu ouvir e dizer que a comida está quente/fria, sem sal/salgada. É sinal de que eu tenho diversidade e abundância de alimentos para satisfazer o meu corpo.
Deus, obrigada por brigar com minhas amigas. É sinal de que eu tenho em quem confiar.
Deus, obrigada por me preocupar com elas. É sinal de que eu ainda tenho as pessoas que amo ao meu lado.
Deus, obrigada pela chuva e pelo sol. Se os vejo, é porque, mesmo me atingindo, ainda consigo enfrentar os piores momentos.
Deus, obrigada por eu perder minhas noites na faculdade. É sinal de que eu tenho acesso à educação.
Deus, obrigada por eu reclamar da velocidade da minha internet e da programação da TV. É sinal de que eu tenho acesso à informação.
Deus, obrigada por eu ver, todos os dias, os mesmos lugares. É sinal de que eles ainda estão inteiros.
Deus, obrigada por eu deitar e reclamar do quão quente está a minha cama. É sinal de que eu ainda tenho um lugar seguro para descansar.
Deus, obrigada pelo sentimento de incapacidade e pelas lágrimas que teimam em querer rolarem de meus olhos. É sinal de que meu coração não está duro e que ainda me sensibilizo com a tristeza e o sofrimento do outro e que, acima de tudo, ainda quero ajudar. E, obrigada, acima de tudo isso, por eu lembrar que não preciso ir longe para fazer isso; na minha própria rua existem pessoas que mal têm o que comer ou onde morar.
Deus, obrigada, muito obrigada por eu acordar com o meu cachorro latindo, minha vó falando, ou minha mãe acendendo a luz. É sinal de que, por mais um dia, eu estou VIVA!


Confesso que em dias como hoje, depois de todo o 'testemunho' que ouvi de pessoas que viveram em um lugar desolado pela tragédia - no caso, o Haiti - tudo parece mais bonito e mais triste. Tudo é mais contrastante; tudo é mais REVOLTANTE. Por que somos a minioria que nos revoltamos com a miséria e a injustiça? Por que somos a minioria que se sembiliza com a tragédia pela qual os outros vivem? Deus, ajudai-me a não ser passiva, a lembrar que eu posso e DEVO ajudar aos meus irmãos todos os dias, e não só em dias como hoje.


Os rapazes que deram a palestra para nós hoje estão produzindo um documentário sobre o Haiti. Na verdade, a ideia do documentário surgiu bem antes do terremoto e esse acabou fazendo com que eles mudassem a perspectiva do trabalho. As imagens transmitem um Haiti cujos habitantes dão uma lição de vida que muitos nem imaginam: a ESPERANÇA. O Teaser do documentário está no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=DGj9xWmYdU0 . Vale a pena assistir e recomendar. Se o video conseguir passar a sua mensagem, a sua causa, talvez nós, mesmo daqui de nossas casas no Brasil, possamos ajudar essas pessoas tão machucadas - física e psicologicamente.


sábado, 20 de março de 2010

Eu? Ou eu?

Todos dizem que sou louco. Mas eu não acho. Ah, mas eu acho!
Eu nunca fui de acreditar nas pessoas. Elas mentem a todo momento. E falam verdades também. Sabe por que dizem que sou louco? Porque não entendem o que eu digo. Ora, se não entendem, os loucos são eles. Ou eu.
Minha mãe nunca acreditou nessa história de loucura. Ou acreditou? Para ela, o meu problema era outro: dupla personalidade. Mas isso seria possível? Eu nunca acreditei. Pois eu acredito!
Disseram-me que, independentemente de qual fosse o meu problema, eu deveria procurar um médico. Psiquiatra. Eu sou louco? Eu sou! Para que ninguém continuasse falando, fui.
Acreditem: chegando lá, eu até gostei do lugar. Eu não! Tinha até uma cama! Não era cama, era um divã, seu burro!
O doutor chegou. Chamava-se Lucivaldo. Que nome estranho. Eu gostei! Conversa vai, conversa vem. A pergunta derradeira: Você acha que está louco? Sim, doutor, eu estou louco. Mas quem é esse que diz eu estou louco? Sou eu? Ou eu? Ou o senhor? Ele fez uma cara de confuso, chamou uma moça de branco – uma enfermeira, ignorante! – assinou um papel e acompanhou-me até esse quarto. Aqui, ninguém me chama de louco. Por que nunca me apresentaram esse lugar maravilhoso? Porque aqui é um hospício. Ninguém te chama de louco, porque todos o são também. É, depois eu que sou louco.


Texto baseado no microconto “Quem”, de Sérgio Sant’Anna

domingo, 7 de março de 2010

Comemorações - 2.1

Ao contrário de muitos, eu sempre adorei o dia do meu aniversário. Quando criança, a diversão era ganhar os presentes, ou seja, eu gostava, mesmo, do dia da festa. Hoje em dia, eu gosto do dia 05 mesmo. Acima de tudo, é ótimo lembrar que Deus me deu a oportunidade de viver mais um ano. Além disso, o carinho que as pessoas transmitem para você é maravilhoso.
Esse ano, teve uma junção: a Cristina, minha amiga, que faz aniversário um dia depois que eu. Dá para imaginar que comemorar junto nem passou pela nossa cabeça, não é mesmo?
Posso dizer que, esse, foi um dos melhores aniversários que eu já tive. Além de todas as comemorações, presentes, felicitações, teve o nascimento do Gustavo, no dia 04, e a uma notícia maravilhosa, logo no comecinho do dia 05. Ou seja, a felicidade foi, no mínimo, 2 vezes maior do que o comum.
Com a chegada do Gu, chegaram as comemorações. Na sexta, rolou uma sessão básica de Bones aqui em casa com a minha amiga querida, Ci. A noite - ou melhor, madrugada - uma baladinha para comemorar com a Cris. Ontem, bolinho aqui em casa. E hoje, para finalizar, um bolinho surpresa, após a missa, organizado pela maninha! Posso pedir mais?
Esse ano eu realmente consegui o que eu sempre quis: passar, mesmo que por pouco tempo, o meu aniversário com todas as pessoas que eu amo(ou quase todas....). Juntando todas as comemorações, vi todo mundo. Foi ótimo!
Eu só tenho a agradecer a Deus e a todos os meus amigos por esses momentos maravilhosos!!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo







Eu sigo a Canção Nova pelo twitter,mas confesso que são raras as vezes que visito o blog deles. Mas este post me chamou a atenção pelo nome, o mesmo que intitula esse post. No primeiro momento, eu gostei pelo fato dele ser muito bonito, bem escrito e ter feito uma relação que, por mais que, como católica, eu possivelmente tenha feito inconscientemente, conscientemente eu nunca havia parado para pensar.
Já quando o li pela segunda vez, depois de alguns acontecimentos ao longo do dia, meu olhar se voltou para detalhes profundos, os quais me fizeram refletir. Alguns desses trechos eu colocarei a seguir, mas recomendo a leitura do mesmo por inteiro.

"Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro."

Eu amo meus amigos pelo que eles são, com suas diferenças e igualdades. Aprendo muito com eles,independente do que seja. Aprendo com seus sofrimentos, suas dores, suas alegrias e vitórias. Isso me faz ser melhor.

"Não exijo perfeição porque ele é tão humano quanto eu, acolhendo assim suas limitações e fraquezas da mesma forma que acolho seus dons e qualidades.(...)Por conhecer minhas misérias e do que elas são capazes de fazer na minha vida, não espero dele perfeição, por isso não deixo a decepção habitar em meu coração."

Esse trecho foi um dos que eu mais me identifiquei. Eu não consigo não perdoar, porque eu sei que eu posso,da mesma maneira, mesmo sem querer, acabar magoando a outra pessoa e, também, gostaria de seu perdão. Muitas vezes eu sofro inúmeras vezes, pela mesma pessoa. Sou inúmeras vezes criticada, muitas vezes duramente, mas não consigo ser diferente. Não consigo não tratar bem alguém que eu ame, porque, com certeza, eu amo meus amigos. As vezes não me entendem, as vezes eu mesma não entendo.

"Se eu estabeleço uma amizade desta forma, entendo que meu amigo é uma pessoa e não uma propriedade particular, um território reservado unicamente para ocultar minhas inseguranças e saciar minhas carências.(...) Por amá-lo e reconhecê-lo como alguém muito especial, quero que também os outros conheçam os tesouros do seu coração. Isso não me leva ao sentimento de ter sido colocado de lado ou ameaçado, pois já experimentei o quanto aquele amigo me ama. Sei que sou único em sua vida e por isso não preciso de exclusividade, pelo contrário, permito que o amor cresça, transborde e atinja a muitos outros"

Essa parte foi a que mais me tocou. Diferentemente da anterior, não porque eu me identifique, mas porque o dia de hoje, com tudo o que ocorreu, eu me perguntei várias vezes qual era o grande problema. E não encontrei. E a minha força e minha 'limpeza de alma', a certeza de que eu não estava errada, está ai, nesse lindo trecho. Ninguém é dono de ninguém. E ninguém é exclusivo de uma pessoa. Namorados não são,pai, mãe, irmão,família, não é. Quem dirá os amigos. Eu tenho vários e sei que esses vários tem mais outros. Nunca eu iria querer um amigo só para mim, exclusivamente. Porque, para mim, no momento em que isso acontecesse, eu não estaria mais tratando-o como amigo, mas sim, como um produto adquirido. Eu sei os amigos que me amam, e amo ve-los felizes com seus outros amigos. A felicidade é tudo o que importa! E a deles, é a minha também!

"Jônatas, quando viu a necessidade de Davi partir, não o impediu; pelo contrário, foi o primeiro a incentivá-lo a ir. Ele sabia que, em uma amizade verdadeira, a liberdade do outro é peça fundamental e que, muitas vezes, forçá-lo a estar perto é uma maneira mais rápida de perdê-lo. Não havia entre eles apego desequilibrado, mas amor verdadeiro, que liberta e não aprisiona."

"Somente quem ama nas pequenas renúncias de uma amizade é capaz de amar com entrega total de vida. Jesus amou assim: amou na simplicidade do dia a dia, sendo capaz de dar toda a vida no momento decisivo."

É por isso que os de fora não podem julgar a relação de amizade entre duas pessoas. São as pequenas coisas divididas por essas duas pessoas que movem a relação. E essas coisas não são gritadas aos quatro ventos para o mundo ouvir. São feitas em silêncio, na cumplicidade da troca entre amigos. É por isso que somente as pessoas que partilham essa amizade que sabem a grandeza que ela é, e a importância que possui em suas vidas.

Eu sempre achei que uma qualidade/defeito meu é esse fato de eu me entregar de corpo e alma para as pessoas que eu amo. De verdade, não me importo em me virar em 300 para conseguir estar com os meus amigos. Quantas e quantas vezes eu passei o dia na correria, só porque dois amigos que eu queria muito ver e que queriam muito me ver só podiam estar presentes naquele mesmo dia, mas em horários diferentes? Quantas vezes eu larguei algum programa individual para um em grupo? Arrependimentos? Nenhum! Nunca! Assim continuarei, assim viverei. Quebrando a cara e concertando para quebrar novamente. Mas, o mais importante, vivendo plenamente todas as relações que eu tiver!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dia da nostalgia

Hoje foi o dia da nostalgia. Mesmo eu acreditando que amanhã será mais ainda.
Começou com a minha conversa normal com a minha amiga Bruna. Ela começou, ano passado, a estudar na mesma escola que eu fiz meu Ensino Médio. Por mais que muitos professores sejam diferentes - o que me deixa, sempre, com uma sensação de desconhecimento - nós ainda trocamos muitas 'figurinhas' a respeito dos que temos em comum. Esse ano, ela terá meu professores favoritos, os que mudaram, realmente, minha vida. Ela tem a Sis que, sem dúvida, foi quem mais me incentivou e que mais influenciou a minha decisão de ser professora - é uma das poucas que tenho contato até hoje e por quem eu nutro um carinho mais do que especial.
Depois, olhando o blog da minha companheira de faculdade, Valéria, veio a saudade da faculdade. Como eu disse e continuo dizendo, sorry, mas eu não sinto lugar daquele lugar e nem da maioria das pessoas. Tirando a Val e a Anna, minha orientadora, as pessoas pelas quais eu realmente poderia sentir falta, eu tenho encontrado sempre. Ou seja, não sinto falta delas. Mas pensar em tudo que a gente passou, nos trabalhos, nas brigas, na união. Isso me deixa um leve sentimento de nostalgia.
É,amanhã é dia de visita e eu acredito que eu ficarei mais nostalgica do que hoje. Mas, é a vida...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

You going to ask me about God and the Devil?
Yes.
You're going to ask me how God can place such a burden on good people?
No. I'm going to ask you how you still belive in a kind God after a case like this.
Was my faith shaken? Yeah. Mhmm.It is.
It is?
Yeah.I'll go home tonight and I'll lie in bed and I'll toss and I'll turn and I'll beat myself up. And, uh, I'll question everything.
Will you get your faith back?
Always have in the past.
So you have faith that you will retain your faith? Why?
Because, Bones, the sun will come up and tomorrow's a new day.
I know that feeling.
Really?
Mm-hmm.
You know what it feels like to get your faith back?
When I see effects and I'm unable to discern the cause, my faith in reason and consequences is shaken.
Then what happens?
Two plus two equals four. I put sugar in my coffee and it tastes sweet. The sun comes up because the world turns. These things are beautiful to me. There are mysteries I will never understand, but everywhere I look, I see proof the for every effect there is a corresponding cause, even if I can't see it. I find that reassuring.
And life is good again.
Life is very good.
Yes, it is.

Diálogo entre Brennan e Booth no episódio de Bones, 'The Devil in the Details".

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sua assombração

Tudo para ela era tão distante. De longe conhecia tudo o possível sobre ele. Sabia quando chegava, quando partia, seus gostos, seus gestos, sua fisionomia. Sabia, mais do que ninguém, o quão enormes eram os intervalos de sua presença. Semanas, até mesmo meses sem aparecer. Quando, finalmente, ela acreditava que não mais o veria, e já até havia tirado-o de mente, pelo menos durante boa parte do tempo, ele aparecia. Um fantasma. Seu fantasma, sua assombração.

Nessas horas, seu coração pulava, sua voz mudava. A alegria e ansiedade tomavam conta dela. Não conseguia se concentrar, e por grande parte do próximo intervalo até o seu retorno, isso continuava. Em alguns momentos sentia-se estranha, ridiculamente boba. Mas eram segundos. Mesmo tempo de contato que teve. Segundos. Tempo suficiente para um toque, uma viagem ao seu próprio mundo, onde tudo era diferente. Segundos. Tempo suficiente para o distanciamento do toque, uma viagem de volta ao mundo real, onde tudo era como ela não queria.

No último intervalo, tudo ficou pior. Sua mente não conseguia se distanciar, não conseguia esquecer aquela mão, aquele toque. Não queria esquecê-lo. Não podia esquecê-lo. Semanas, meses, anos. Tempo suficiente para esquecer. Tempo. Para ela, não fez diferença. Era impossível esquecer aquele olhar, aquele toque, aquela voz. Ele sempre foi e será o seu fantasma. A sua assombração.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Filmes e livros das férias

Férias acabando - pelo menos as estudantis. Sim, lá vou eu encarar outra faculdade. Fotografia. Amei a idéia! Confesso que não foram as minhas férias mais produtivas na vida. A preguiça tomou conta do meu ser, e quase nada de realmente útil saiu. Mas consegui fôlego para ler um pouco e assistir muitaaa coisa! Aqui vão minhas melhores dicas:

Livros:

Os dois livros que li - ou estou lendo - nas férias merecem a indicação. Primeiro, um bem conhecido e cuja a história me apaixona, mas nunca havia lido-o: Alice no país das maravilhas. Impulsionada pela curiosidade crescente, unida a vontade de ler o texto original antes de assistir a nova versão da história feita por Tim Burton para a Disney e a qual estreará em abril por aqui, tomei coragem, comprei o livro e li. Confesso, novamente, que a preguiça me abateu em alguns momentos, e acabei levando mais tempo do que imaginava para ler. Mas posso garantir: é uma leitura fantástica! O texto é maravilhoso e foi melhor ainda por eu já ter 'esquecido' a maior parte dos elementos visuais impostos pelo desenho. Há muito tempo não assisto Alice e isso ajudou a minha criatividade a funcionar melhor, sem limites, o que é maravilhoso! Mais do que recomendada a leitura!
O segundo, ainda estou lendo. Ganhei de amigo-secreto da minha querida amiga Normanda: Death du Jour, segundo livro da Kathy Reichs. Esse foi a minha grande surpresa. Não que eu não soubesse que a Kathy é uma excelente escritora, mas o livro está em Inglês e, por mais que eu tenha melhorado muito em relação a essa língua, eu nunca havia me aventurado na leitura de um 'real book' em Inglês. Literatura mesmo. Policial. Cheia de palavras típicas. Vocabulário que eu nunca ouvi na vida. E foi. Está indo. Quase 100 páginas em menos de dois dias. Para um livro em Inglês, até que é muito! Ótimo livro. Vale muito a pena!

Filmes:

Eu assisti muita coisa nessas férias. Atualizei-me em algumas séries, assistir, mais uma vez, as primeiras temporadas de Bones, e vi muitos, mas muitos filmes!
Um deles foi "500 days of Summer". Não sei se já comentei sobre ele aqui,mas, sem dúvida, tornou-se um dos meus filmes favoritos. Dos últimos tempos, é o favorito, posso garantir. A primeira vez que eu assisti, a única coisa que me impulsionava era o fato dele ser estrelado pela Zooey Deschanel. Mas, depois de poucos minutos, era um filme completo. História, fotografia, estilo, atores. Tudo em sintonia. Tudo ótimo. E, melhor: sem nenhum convencionalismo. Detesto filme que eu adivinho o final no meio da história. Piores os que eu já começo assistindo, sabendo como vai acabar. Taí a grande graça do filme. Talvez você até adivinhe o que acontece no final, mas, com certeza, o final é bem diferente de todos os outros filmes desse gênero.
Além desse, um outro filme, também com a Zooey, que me chamou muito a atenção foi "The happening"(Fim dos tempos). Esse não é meu estilo favorito de filme, e assisti, novamente, pelo simples fato de ser com a Zooey. E, mais uma vez, surpresa! Ótimo filme. Conseguiu prender minha atenção como há muito nenhum outro conseguia. Vale muito a pena assistir.
Minha última dica: Tomates verdes fritos. Sempre ouvi falar desse filme, mas nunca tive curiosidade de assistir. Até comprar, meio que sem querer, numa promoção, o DVD. Primeiro de tudo: o elenco. Excelente. Só em casa descobri que quem estrelava o filme era a Mary-Louise Parker, atriz pela qual eu também sou 'apaixonada'. Se eu já a admirava por "Weeds", ela superou minha admiração nesse filme. Ótimo trabalho. Além de tudo, a história do filme é muito boa, muito bem contada. Detalhes que te fazem pensar. Adoro filme assim. Melhor aquisição das férias.

E, vocês, alguma sugestão?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O nome

Um rosto. Uma marca. Um olhar.

No início tudo era somente curiosidade. Who are you?

Passou a falar em sua direção. Palavras mudas. Palavras diferentes das quais realmente queria dizer. I need you!

Por tempos e tempos, palavras estranhas saiam de sua boca. Sem sentido. Sem sentimento. Vazias. I need you!

Até o momento em que a direção foi quebrada. As palavras sem sentido passaram a, naquele momento, serem sem direção. Palavras ao vento, perdidas, procurando um rosto, um olhar...um porto para, enfim, ancorarem. Mas não existia. Where are you?

Silêncio. O rosto solitário caminha pela multidão, rumo ao seu ponto inicial. How could you change my life and, after this, just leave it?

Quando o olhar finalmente retorna, não mais existem palavras, não mais existe direção. Everything change. Silêncio. Palavras cortadas, olhares distanciados.

Conhecia seu rosto, seu corpo, suas marcas, seu olhar, seu andar, sua voz...tudo, menos o que realmente sempre quis saber, e nunca saberá: a identidade daquele que transformou sua vida para sempre.

Terremoto no Hiti e perda de Zilda Arns


Uma semana. Tempo decorrido desde essa tragédia. Tempo que levei para me convencer a escrever esse post. Tardei, mas não falhei. Tardei por vários motivos. Até hoje não sei se os superei, mas tive e tenho certeza, hoje, de que é necessário. O adiamento desse escrito veio devido a falta de coragem de pensar em toda essa tristeza e, acima de tudo, a incerteza na existência de palavras que pudessem expressar tudo isso.
Com certeza, toda essa tragédia é dura demais. Muita tristeza, sofrimento, perdas. Lágrimas, sangue. Eu, na minha humilde humanidade, não consigo ter coragem para acompanhar as imagens e nem todas as notícias. Surge um desespero, um sentimento de incapacidade, de não poder fazer nada. Ao mesmo tempo, um medo, medo de que ocorra tudo
isso aqui, comigo, com minha família, meus amigos, meus amados. Como disse o padre, hoje, essa tragédia afetou a todos nós, mas, quando tudo acontece ao nosso redor, com os nossos, tudo fica pior. É por isso que, acima de falar da tragédia, dedico esse post à Dr. Zilda Arns.
Não, eu nunca a conheci pessoalmente. Na verdade, até poucos anos, eu não fazia idéia de quem essa mulher fosse. Mas, assim como milhares de outras pessoas, faço parte de seu trabalho maior, a Pastoral da Criança.
Todos sabem a importância que a missão de D. Zilda teve, tem e sempre terá para o mundo, mas quem convive com esse trabalho vê, mais do que ninguém, como é decisivo que, todos nós, voluntários, sigamos com o projeto de D.Zilda. Assim como Jesus, ela deu a vida, literalmente, pela paz no mundo, pela diminuição da desigualdade, pelo fim da pobreza, da fome, da desnutrição. Ver, a cada pesagem, a criança ganhando peso, livrando-se da linha de perigo, saindo da zona de desnutrição, é um sentimento que não pode ser descrito. Saber que, de alguma maneira, essa criança terá uma vida um pouco melhor, é maravilhoso. Tudo isso, essa vontade de ajudar ao próximo, deveria ser algo intrínseco ao ser humano, mas não é. E são os exemplos, como o de D. Zilda, que fazem com que lembramos que esse é o nosso dever, essa deve ser a nossa atitude.
Tenho certeza que, lá de cima, D. Zilda ainda ficará muito feliz por ver muitas de suas crianças vivendo, nutridas, felizes, graças a sua iniciativa, a sua vontade de fazer um mundo melhor.
No momento que eu soube de sua morte, disse uma frase, em tom de brincadeira, mas que é a minha mais profunda crença: Essa, foi direto para o céu! E é de lá que, com certeza, ela continuará acompanhando e apoiando o belo trabalho da Pastoral da Criança.
Para terminar, deixou a foto abaixo, com o belissimo significado, a qual recebi por e-mail, que ilustra a igreja na qual D.Zilda faleceu. Se repararem, tudo está destruído, mas a cruz que ficava a frente da igreja, permanece intacta:

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Músculo Coração


Esse músculo que fica comprimido quando sofre de amor e que parece não caber dentro do peito quando se está amando e que realmente controla todo o ser, pois sem ele o Amor não teria lugar para se fixar em nós.
Músculo que bombeia sangue para todo o corpo. Sangue cheio de paixões e amores que transmitirá para todo o corpo aquilo que o ser tem de mais bonito.
Esse músculo é fundamental na vida, por isso, guarda a essência da vida que é o Amor.
Músculo que se contrai e relaxa todo o tempo. Contrai-se quando se sofre e relaxa quando se ama!


Explicação para o texto:

Acabei de encontrar essa 'relíquia'. Esses dias pensei nesse texto, mas acreditava que não mais o tinha. Mas ai está. Eu o escrevi no primeiro ano do colegial. Ele não é perfeito, nem super criativo, mas, para a época, eu me senti super orgulhosa dele - e o professor da optativa para a qual ele foi escrito também =] Eu lembro que no momento em que o li para a platéia eu tremia tanto que eu realmente fiquei com muito medo de não conseguir terminar. Mas deu certo, no final!

Primeiro encontro de 2010!


Logo no comecinho desse blog, mais precisamente no dia 24 de junho de 2008, portanto, há quase dois anos - como o tempo passa rápido! - eu postei aqui a primeira foto, do primeiro encontro, que tivemos com a Ju Goes. Aquele foi um dia de conhecimento, de descobertas, ansiedade, mas, acima de tudo, e numa visão que agora temos muito mais do que antes, foi um dia de começo. Começo de amizades, de contatos, de diversão...começo de uma família.
Ontem tivemos nosso primeiro encontro do ano e, como sempre, foi maravilhoso. Montamos um grupo 'pequeno', mas super unido e amigo. Tudo fica extremamente divertido com eles. Nunca é a mesma coisa e essa é a graça. Não tem como ir num encontro com esse pessoal e não sair sentindo a alma mais leve e com a certeza de que se divertiu demais!
Ontem, mesmo com a chuva fortissima e ininterrupta - e com alguns encharcados por causa disso! - nem vimos o tempo passar. Foi maravilhoso!
Esse post é só pra marcar que, Graças a Deus, estamos juntos há quase dois anos e vamos continuar assim. Adoro todos!
E, para finalizar, a fotinho da 'geral' ontem: