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"Eh, Pagu, eh!"

“Quero ir bem alto, bem alto...numa sensação de saborosa superioridade...é que do outro lado do mundo tem uma coisa que eu quero espiar” – Patricia Galvão Não sei exatamente há quanto tempo me interesso pela figura de Patricia Galvão - ou, como é mais conhecida, Pagu. Não existe uma data marcada para que eu possa dizer: foi nesse dia em que a descobri. Não. Na verdade, hoje, vejo isso quase como algo intrínseco. Não lembro quando comecei a alimentar o desejo de descobrir mais, estudar, ler, conhecer, tentar entender o que se passava na cabeça dessa mulher. Lembro-me de uma única coisa: lá, nesse começo remoto, a única coisa que sabia era que ela havia sido uma militante política e que sofrera por toda a sua vida. Tão pouco perto do – ainda pouco – que sei hoje. Tanto para uma adolescente que só conhecia um mundinho cor-de-rosa, sem sofrimentos, sem dor, sem luta. Ao certo, a minha primeira lembrança imagética dessa figura faz parte de uma de minhas mais antigas lembranças ...
"Nos primeiros meses do domínio nacional-socialista Um trabalhador de uma pequena localidade na fronteira tcheca foi condenado à prisão por distribuir panfletos comunistas Como um de seus cinco filhos havia já morrido de fome Não agradava ao juiz enviá-lo para a cadeia por muito tempo. Perguntou-lhe então se ele não estava talvez Apenas corropido pela propaganda comunista Não sei o que o senhor quer dizer, disse ele, mas meu filho Foi corrompido pela fome" - Berolt Brencht em Tereza Freire - Dos escombros de Pagu

Descoberta

Sob a sua árvore favorita do parque, Isabella passava muitas de suas tardes. Normalmente ia até o local para se distrair e relaxar, especialmente depois de alguma das comuns brigas que aconteciam entre ela e sua avó. Mas aquele não era um dia como qualquer outro. A família Porto era originária do Brasil, mas se mudaram para os EUA pouco tempo depois de Isa nascer. Nessa época, seu pai e seu avô, donos de uma gravadora, a 2plus2 Music, fecharam acordo com a famosa King song, e, por isso, mudaram-se para aquele país. Durante toda a infância e adolescência, a menina aprendia as coisas em dobro: eram dois idiomas, duas culturas, dois tipos de música, duas tradições. Duas educações. Ao contrário do que aconteceria no Brasil, caso tivesse crescido em sua terra Natal, lá ela frequentava as aulas normais na escola, em Inglês, e, a tarde, tinha aulas particulares de Língua Portuguesa, Literatura, História e Geografia Brasileira. Sua família sempre quis preservar as raizes, principalmente porque...

O olhar

O olhar. Esse seu olhar que me cativa, que me paraliza, que faz com que todo o meu corpo mude de atitude num momento. Ele está tão perto, lado a lado com o meu. Por que não se cruzam? Por que não se aproximam? Essa é a magia do olhar. O olhar. Tão próximo e tão distante. Sempre que se aproxima, alguma força me distancia de ti. Reluto, brigo, tento enfrentar essa força por vezes tão forte que chega a ser profundamente dolorida. Mas ela me arrasta, afasta-me. Vejo seu olhar, cada vez mais afastado. Meu coração dói cada vez mais. Por que? O olhar. Quanto mais perto, mais distante. Tê-lo ao meu lado só aumenta o meu desejo de te tocar, de te encontrar. Mas isso é impossível. Volte. Volte para onde saiu. Volte. Volte para sempre.

Deus, obrigada!

Deus, obrigada pela minha mãe e vó brigarem comigo todos os dias. É sinal de que elas estão comigo. Deus, obrigada por minha mãe,mesmo contra a minha vontade, abrir porta e janela de meu quarto para me acordar. É sinal de que eu possuo uma moradia intacta para habitar. Deus,obrigada por eu ouvir e dizer que a comida está quente/fria, sem sal/salgada. É sinal de que eu tenho diversidade e abundância de alimentos para satisfazer o meu corpo. Deus, obrigada por brigar com minhas amigas. É sinal de que eu tenho em quem confiar. Deus, obrigada por me preocupar com elas. É sinal de que eu ainda tenho as pessoas que amo ao meu lado. Deus, obrigada pela chuva e pelo sol. Se os vejo, é porque, mesmo me atingindo, ainda consigo enfrentar os piores momentos. Deus, obrigada por eu perder minhas noites na faculdade. É sinal de que eu tenho acesso à educação. Deus, obrigada por eu reclamar da velocidade da minha internet e da programação da TV. É sinal de que eu tenho acesso à informação. Deus, obri...

Eu? Ou eu?

Todos dizem que sou louco. Mas eu não acho. Ah, mas eu acho! Eu nunca fui de acreditar nas pessoas. Elas mentem a todo momento. E falam verdades também. Sabe por que dizem que sou louco? Porque não entendem o que eu digo. Ora, se não entendem, os loucos são eles. Ou eu. Minha mãe nunca acreditou nessa história de loucura. Ou acreditou? Para ela, o meu problema era outro: dupla personalidade. Mas isso seria possível? Eu nunca acreditei. Pois eu acredito! Disseram-me que, independentemente de qual fosse o meu problema, eu deveria procurar um médico. Psiquiatra. Eu sou louco? Eu sou! Para que ninguém continuasse falando, fui. Acreditem: chegando lá, eu até gostei do lugar. Eu não! Tinha até uma cama! Não era cama, era um divã, seu burro! O doutor chegou. Chamava-se Lucivaldo. Que nome estranho. Eu gostei! Conversa vai, conversa vem. A pergunta derradeira: Você acha que está louco? Sim, doutor, eu estou louco. Mas quem é esse que diz eu estou louco...

Comemorações - 2.1

Ao contrário de muitos, eu sempre adorei o dia do meu aniversário. Quando criança, a diversão era ganhar os presentes, ou seja, eu gostava, mesmo, do dia da festa. Hoje em dia, eu gosto do dia 05 mesmo. Acima de tudo, é ótimo lembrar que Deus me deu a oportunidade de viver mais um ano. Além disso, o carinho que as pessoas transmitem para você é maravilhoso. Esse ano, teve uma junção: a Cristina, minha amiga, que faz aniversário um dia depois que eu. Dá para imaginar que comemorar junto nem passou pela nossa cabeça, não é mesmo? Posso dizer que, esse, foi um dos melhores aniversários que eu já tive. Além de todas as comemorações, presentes, felicitações, teve o nascimento do Gustavo, no dia 04, e a uma notícia maravilhosa, logo no comecinho do dia 05. Ou seja, a felicidade foi, no mínimo, 2 vezes maior do que o comum. Com a chegada do Gu, chegaram as comemorações. Na sexta, rolou uma sessão básica de Bones aqui em casa com a minha amiga querida, Ci. A noite - ou melhor, madrugada - uma ...