Pular para o conteúdo principal

Terremoto no Hiti e perda de Zilda Arns


Uma semana. Tempo decorrido desde essa tragédia. Tempo que levei para me convencer a escrever esse post. Tardei, mas não falhei. Tardei por vários motivos. Até hoje não sei se os superei, mas tive e tenho certeza, hoje, de que é necessário. O adiamento desse escrito veio devido a falta de coragem de pensar em toda essa tristeza e, acima de tudo, a incerteza na existência de palavras que pudessem expressar tudo isso.
Com certeza, toda essa tragédia é dura demais. Muita tristeza, sofrimento, perdas. Lágrimas, sangue. Eu, na minha humilde humanidade, não consigo ter coragem para acompanhar as imagens e nem todas as notícias. Surge um desespero, um sentimento de incapacidade, de não poder fazer nada. Ao mesmo tempo, um medo, medo de que ocorra tudo
isso aqui, comigo, com minha família, meus amigos, meus amados. Como disse o padre, hoje, essa tragédia afetou a todos nós, mas, quando tudo acontece ao nosso redor, com os nossos, tudo fica pior. É por isso que, acima de falar da tragédia, dedico esse post à Dr. Zilda Arns.
Não, eu nunca a conheci pessoalmente. Na verdade, até poucos anos, eu não fazia idéia de quem essa mulher fosse. Mas, assim como milhares de outras pessoas, faço parte de seu trabalho maior, a Pastoral da Criança.
Todos sabem a importância que a missão de D. Zilda teve, tem e sempre terá para o mundo, mas quem convive com esse trabalho vê, mais do que ninguém, como é decisivo que, todos nós, voluntários, sigamos com o projeto de D.Zilda. Assim como Jesus, ela deu a vida, literalmente, pela paz no mundo, pela diminuição da desigualdade, pelo fim da pobreza, da fome, da desnutrição. Ver, a cada pesagem, a criança ganhando peso, livrando-se da linha de perigo, saindo da zona de desnutrição, é um sentimento que não pode ser descrito. Saber que, de alguma maneira, essa criança terá uma vida um pouco melhor, é maravilhoso. Tudo isso, essa vontade de ajudar ao próximo, deveria ser algo intrínseco ao ser humano, mas não é. E são os exemplos, como o de D. Zilda, que fazem com que lembramos que esse é o nosso dever, essa deve ser a nossa atitude.
Tenho certeza que, lá de cima, D. Zilda ainda ficará muito feliz por ver muitas de suas crianças vivendo, nutridas, felizes, graças a sua iniciativa, a sua vontade de fazer um mundo melhor.
No momento que eu soube de sua morte, disse uma frase, em tom de brincadeira, mas que é a minha mais profunda crença: Essa, foi direto para o céu! E é de lá que, com certeza, ela continuará acompanhando e apoiando o belo trabalho da Pastoral da Criança.
Para terminar, deixou a foto abaixo, com o belissimo significado, a qual recebi por e-mail, que ilustra a igreja na qual D.Zilda faleceu. Se repararem, tudo está destruído, mas a cruz que ficava a frente da igreja, permanece intacta:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O segundo semestre de 2016 foi, provavelmente, o tempo mais desafiador da minha vida. Foi o início do meu processo de mudança, e também a época das minhas crises mais fortes. Em poucos meses, perdi as contas de quantas vezes acordei em meio a um ataque de pânico. Mas foi também o momento em que resolvi que aquilo não era normal e que estava cansada de viver presa a tudo aquilo; era hora de mudar, nisso também. A partir de então, fui buscando saídas, técnicas, possibilidades de mudança, de melhora. A vida foi me ajudando e me apontando caminhos; hoje, muitos deles são os que me salvam nos momentos de sofrimento. O que faço? 1. Terapia - não foi a primeira técnica que tentei, mas é o topo da lista porque hoje sei que não posso viver sem. É meu maior investimento em mim mesma e na minha saúde. Desde a adolescência falava de ir para a terapia, mas cresci em uma família que acredita(va) que doenças psicológicas eram bobagem ou frescura; além disso, sempre tive dificuldade em falar dos m...

Convivendo com a ansiedade generalizada - um relato

Quando você procura por "Ansiedade generalizada" ou "Crise de ansiedade" no Google, você se depara com textos falando dos sintomas dessa doença, com sugestões de tratamento, com descrições médicas e tantas outras coisas do gênero. Mas o que você não encontra são os medos, as dores, os pensamentos, os sofrimentos; você não encontra a luta eterna, diária, a luta para sair da cama, para viver mais um dia ao invés de sobreviver a mais um dia. E ai você pensa: será que sou só eu assim? Cada vez que tenho coragem de falar em um grupo aquilo que sinto, aquilo que penso, as vezes em que fiquei travada em um lugar por medo de ir a diante, as crises de pânico, os pensamentos de morte, o sofrimento por decepcionar o outro, o medo do futuro...cada vez que eu tenho coragem de dizer as outras pessoas aquilo que passo, percebo que não, não estou sozinha. Escrever esse texto que para muitos parecerá bobagem é, para mim, uma técnica de salvação. Colocar para fora é meu alívio, e p...

Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo

Eu sigo a Canção Nova pelo twitter,mas confesso que são raras as vezes que visito o blog deles. Mas este post me chamou a atenção pelo nome, o mesmo que intitula esse post. No primeiro momento, eu gostei pelo fato dele ser muito bonito, bem escrito e ter feito uma relação que, por mais que, como católica, eu possivelmente tenha feito inconscientemente, conscientemente eu nunca havia parado para pensar. Já quando o li pela segunda vez, depois de alguns acontecimentos ao longo do dia, meu olhar se voltou para detalhes profundos, os quais me fizeram refletir. Alguns desses trechos eu colocarei a seguir, mas recomendo a leitura do mesmo por inteiro. " Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro." Eu amo meus amigos pelo que eles s...