Pular para o conteúdo principal

Sua assombração

Tudo para ela era tão distante. De longe conhecia tudo o possível sobre ele. Sabia quando chegava, quando partia, seus gostos, seus gestos, sua fisionomia. Sabia, mais do que ninguém, o quão enormes eram os intervalos de sua presença. Semanas, até mesmo meses sem aparecer. Quando, finalmente, ela acreditava que não mais o veria, e já até havia tirado-o de mente, pelo menos durante boa parte do tempo, ele aparecia. Um fantasma. Seu fantasma, sua assombração.

Nessas horas, seu coração pulava, sua voz mudava. A alegria e ansiedade tomavam conta dela. Não conseguia se concentrar, e por grande parte do próximo intervalo até o seu retorno, isso continuava. Em alguns momentos sentia-se estranha, ridiculamente boba. Mas eram segundos. Mesmo tempo de contato que teve. Segundos. Tempo suficiente para um toque, uma viagem ao seu próprio mundo, onde tudo era diferente. Segundos. Tempo suficiente para o distanciamento do toque, uma viagem de volta ao mundo real, onde tudo era como ela não queria.

No último intervalo, tudo ficou pior. Sua mente não conseguia se distanciar, não conseguia esquecer aquela mão, aquele toque. Não queria esquecê-lo. Não podia esquecê-lo. Semanas, meses, anos. Tempo suficiente para esquecer. Tempo. Para ela, não fez diferença. Era impossível esquecer aquele olhar, aquele toque, aquela voz. Ele sempre foi e será o seu fantasma. A sua assombração.

Comentários

Anônimo disse…
Amiga..nem precisa dizer que eu amooo seus textos..e entendo eles perfeitamente...vc sabe bem..né amiga...
beijosssssssssssssssssss te adoro

Postagens mais visitadas deste blog

O segundo semestre de 2016 foi, provavelmente, o tempo mais desafiador da minha vida. Foi o início do meu processo de mudança, e também a época das minhas crises mais fortes. Em poucos meses, perdi as contas de quantas vezes acordei em meio a um ataque de pânico. Mas foi também o momento em que resolvi que aquilo não era normal e que estava cansada de viver presa a tudo aquilo; era hora de mudar, nisso também. A partir de então, fui buscando saídas, técnicas, possibilidades de mudança, de melhora. A vida foi me ajudando e me apontando caminhos; hoje, muitos deles são os que me salvam nos momentos de sofrimento. O que faço? 1. Terapia - não foi a primeira técnica que tentei, mas é o topo da lista porque hoje sei que não posso viver sem. É meu maior investimento em mim mesma e na minha saúde. Desde a adolescência falava de ir para a terapia, mas cresci em uma família que acredita(va) que doenças psicológicas eram bobagem ou frescura; além disso, sempre tive dificuldade em falar dos m...

Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo

Eu sigo a Canção Nova pelo twitter,mas confesso que são raras as vezes que visito o blog deles. Mas este post me chamou a atenção pelo nome, o mesmo que intitula esse post. No primeiro momento, eu gostei pelo fato dele ser muito bonito, bem escrito e ter feito uma relação que, por mais que, como católica, eu possivelmente tenha feito inconscientemente, conscientemente eu nunca havia parado para pensar. Já quando o li pela segunda vez, depois de alguns acontecimentos ao longo do dia, meu olhar se voltou para detalhes profundos, os quais me fizeram refletir. Alguns desses trechos eu colocarei a seguir, mas recomendo a leitura do mesmo por inteiro. " Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro." Eu amo meus amigos pelo que eles s...

Amigas!

Depois de tempos sem postar, mais uma vez, um post sobre amizade no blog da minha amiga Normanda me incentivou a voltar. Amiga, obrigada! Lá, ela escreveu sobre uma amiga, a qual a atura e com quem se encontrou hoje. Lendo o que ela escreveu, eu lembrei, detalhadamente, de minhas amigas, das antigas e das novas, das distantes e das próximas, das que eu vejo ou falo quase todos os dias e das quais eu morro de saudades. Todas elas, com certeza, são extremamente importantes para mim, só pelo simples fato de existirem. Algumas, eu sei que posso contar para tudo, e contar sobre tudo. Algumas, são as minhas salvadoras intelectuais, outras, de animo. Algumas eu falo sobre coisas boas e outras sobre coisas ruins. E há aquelas que eu falo de tudo. Em quesito de amizade, esse ano foi um ano extremamente importante. Ganhei meus 3 lindos presentes - Cris, Thais e Amanda; renovei laços de amizade, como com a Ci e a Gisa; percebi, com a Nath, que a distância realmente não mata a amizade e a importa...