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O segundo semestre de 2016 foi, provavelmente, o tempo mais desafiador da minha vida. Foi o início do meu processo de mudança, e também a época das minhas crises mais fortes. Em poucos meses, perdi as contas de quantas vezes acordei em meio a um ataque de pânico. Mas foi também o momento em que resolvi que aquilo não era normal e que estava cansada de viver presa a tudo aquilo; era hora de mudar, nisso também. A partir de então, fui buscando saídas, técnicas, possibilidades de mudança, de melhora. A vida foi me ajudando e me apontando caminhos; hoje, muitos deles são os que me salvam nos momentos de sofrimento. O que faço? 1. Terapia - não foi a primeira técnica que tentei, mas é o topo da lista porque hoje sei que não posso viver sem. É meu maior investimento em mim mesma e na minha saúde. Desde a adolescência falava de ir para a terapia, mas cresci em uma família que acredita(va) que doenças psicológicas eram bobagem ou frescura; além disso, sempre tive dificuldade em falar dos m...

Convivendo com a ansiedade generalizada - um relato

Quando você procura por "Ansiedade generalizada" ou "Crise de ansiedade" no Google, você se depara com textos falando dos sintomas dessa doença, com sugestões de tratamento, com descrições médicas e tantas outras coisas do gênero. Mas o que você não encontra são os medos, as dores, os pensamentos, os sofrimentos; você não encontra a luta eterna, diária, a luta para sair da cama, para viver mais um dia ao invés de sobreviver a mais um dia. E ai você pensa: será que sou só eu assim? Cada vez que tenho coragem de falar em um grupo aquilo que sinto, aquilo que penso, as vezes em que fiquei travada em um lugar por medo de ir a diante, as crises de pânico, os pensamentos de morte, o sofrimento por decepcionar o outro, o medo do futuro...cada vez que eu tenho coragem de dizer as outras pessoas aquilo que passo, percebo que não, não estou sozinha. Escrever esse texto que para muitos parecerá bobagem é, para mim, uma técnica de salvação. Colocar para fora é meu alívio, e p...
São 11h30 da manhã de uma quinta-feira linda. Dia de folga. Um sol maravilhoso bate na janela, trazendo para a cidade um céu azul limpinho, como há dias não víamos. Todos os sinais para comporem um dia perfeito. São 11h30 da manhã. Não faz nem uma hora que acordei, e já quis desistir. Na verdade, essas palavras saem para que eu não desista. Nesse instante, tudo o que eu queria era poder voltar para a cama, me esconder embaixo das cobertas e torcer, de verdade, para me transformar na Dorothy e um tornado me levar para bem longe, onde tudo seja diferente, onde eu seja diferente. Não são tantos anos assim de vida, mas aprendi que precisamos evoluir. Precisamos ser melhores, precisamos. Por nós e pelo que nos cercam. Mas como diria Zooey Deschanel, "Change is hard, I should know". São 11h30 da manhã de um dia lindo, iluminado, quente. E eu aqui, fria, sombria, perdida na minha Escuridão. Querendo achar o sol que eu preciso seguir. Mas cada dia que eu levanto e corro atrás dess...
Querem o carinho que recebo? Deem o carinho que sou. Querem o dinheiro que tenho? Trabalhem como trabalho. Querem a inteligência que tenho? Estudem como estudei. Querem o espírito que tenho? Rezem e procurem evoluir como eu. Querem os sorrisos que tenho? Chorem minhas lágrimas. Querem as amigas que tenho? Sejam amiga como sou. Querem o talento que tenho? Olhem para dentro e encontrem o seu.  Não há modo de plantar uma macieira e plantar laranjas. A macieira para sempre dará maçãs. Queres laranjas? Plante uma laranjeira. Queres um mundo como o meu? Plante-o, regue-o e, ao final, colherás algo seu, da mesma maneira que construiu ao longo do caminho.

Luiza

Cabelos de ouro. Olhos de esmeralda. Voz de sereia. Valiosa, rara, encantadora . Tem na voz a alma e na entrega o coração.  Fascina. Emociona. Cativa.     Desperta o amor mais puro, mais verdadeiro: aquele que é inexplicável. Ama-se pelo simples fato de amar. E esse amor liberta da alma os sentimentos mais belos e a mais profunda vontade de ser melhor.       Sorri. Brilha . Tem a Luz mais forte, porque nela une-se todas as outras que por ela foram atraídas e Ilumina todo o seu redor. Volta-se para o outro e, por isso, todos os outros voltam-se para ela.      Seus braços acolhem olhares marejados ou sorrisos escancarados. Acalentam corações gratos. Moldam abraços únicos. Fortes. Reconfortantes. Calmantes. Sustentadores.        Compartilha cada centelha de sua alma e, assim, faz com que todas as outras ao seu redor brilhem, alegrem-se.      Gratidão. Fé. Paz. Esperança. União...Am...

Solidão

     Lá fora, o Sol brilha em meus olhos; minha boca sorri para quem passa e produz palavras felizes. Aqui dentro, na minha Escuridão, as lágrimas são minha única expressão e a dor que aperta o peito, minha única companhia.      Sinto-me só, em meio à multidão. Minha dor é única. Minha. Inexplicável, impossível de ser dividida. A dor que dói mais fundo, porque no fundo, dói pelo que sou. A dor da mudança. Da busca. Da tentativa inesgotável de encontrar o meu eu. A Solidão é escura. Doída. Intransponível.

Luiza

Cabelos de ouro. Olhos de esmeralda. Voz de sereia. Valiosa, rara, encantadora . Tem na voz a alma e na entrega o coração.  Fascina. Emociona. Cativa.     Desperta o amor mais puro, mais verdadeiro: aquele que é inexplicável. Ama-se pelo simples fato de amar. E esse amor liberta da alma os sentimentos mais belos e a mais profunda vontade de ser melhor.       Sorri. Brilha . Tem a Luz mais forte, porque nela une-se a todas as outras que por ela foram atraídas e Ilumina todo o seu redor. Volta-se para o outro e, por isso, todos os outros voltam-se para ela.      Seus braços acolhem olhares marejados ou sorrisos escancarados. Acalentam corações gratos. Moldam abraços únicos. Fortes. Reconfortantes. Calmantes. Sustentadores.        Compartilha cada centelha de sua alma e, assim, faz com que todas as outras ao seu redor brilhem, alegrem-se.      Gratidão. Fé. Paz. Esperança. União......

"Eh, Pagu, eh!"

“Quero ir bem alto, bem alto...numa sensação de saborosa superioridade...é que do outro lado do mundo tem uma coisa que eu quero espiar” – Patricia Galvão Não sei exatamente há quanto tempo me interesso pela figura de Patricia Galvão - ou, como é mais conhecida, Pagu. Não existe uma data marcada para que eu possa dizer: foi nesse dia em que a descobri. Não. Na verdade, hoje, vejo isso quase como algo intrínseco. Não lembro quando comecei a alimentar o desejo de descobrir mais, estudar, ler, conhecer, tentar entender o que se passava na cabeça dessa mulher. Lembro-me de uma única coisa: lá, nesse começo remoto, a única coisa que sabia era que ela havia sido uma militante política e que sofrera por toda a sua vida. Tão pouco perto do – ainda pouco – que sei hoje. Tanto para uma adolescente que só conhecia um mundinho cor-de-rosa, sem sofrimentos, sem dor, sem luta. Ao certo, a minha primeira lembrança imagética dessa figura faz parte de uma de minhas mais antigas lembranças ...
"Nos primeiros meses do domínio nacional-socialista Um trabalhador de uma pequena localidade na fronteira tcheca foi condenado à prisão por distribuir panfletos comunistas Como um de seus cinco filhos havia já morrido de fome Não agradava ao juiz enviá-lo para a cadeia por muito tempo. Perguntou-lhe então se ele não estava talvez Apenas corropido pela propaganda comunista Não sei o que o senhor quer dizer, disse ele, mas meu filho Foi corrompido pela fome" - Berolt Brencht em Tereza Freire - Dos escombros de Pagu

Descoberta

Sob a sua árvore favorita do parque, Isabella passava muitas de suas tardes. Normalmente ia até o local para se distrair e relaxar, especialmente depois de alguma das comuns brigas que aconteciam entre ela e sua avó. Mas aquele não era um dia como qualquer outro. A família Porto era originária do Brasil, mas se mudaram para os EUA pouco tempo depois de Isa nascer. Nessa época, seu pai e seu avô, donos de uma gravadora, a 2plus2 Music, fecharam acordo com a famosa King song, e, por isso, mudaram-se para aquele país. Durante toda a infância e adolescência, a menina aprendia as coisas em dobro: eram dois idiomas, duas culturas, dois tipos de música, duas tradições. Duas educações. Ao contrário do que aconteceria no Brasil, caso tivesse crescido em sua terra Natal, lá ela frequentava as aulas normais na escola, em Inglês, e, a tarde, tinha aulas particulares de Língua Portuguesa, Literatura, História e Geografia Brasileira. Sua família sempre quis preservar as raizes, principalmente porque...

O olhar

O olhar. Esse seu olhar que me cativa, que me paraliza, que faz com que todo o meu corpo mude de atitude num momento. Ele está tão perto, lado a lado com o meu. Por que não se cruzam? Por que não se aproximam? Essa é a magia do olhar. O olhar. Tão próximo e tão distante. Sempre que se aproxima, alguma força me distancia de ti. Reluto, brigo, tento enfrentar essa força por vezes tão forte que chega a ser profundamente dolorida. Mas ela me arrasta, afasta-me. Vejo seu olhar, cada vez mais afastado. Meu coração dói cada vez mais. Por que? O olhar. Quanto mais perto, mais distante. Tê-lo ao meu lado só aumenta o meu desejo de te tocar, de te encontrar. Mas isso é impossível. Volte. Volte para onde saiu. Volte. Volte para sempre.

Deus, obrigada!

Deus, obrigada pela minha mãe e vó brigarem comigo todos os dias. É sinal de que elas estão comigo. Deus, obrigada por minha mãe,mesmo contra a minha vontade, abrir porta e janela de meu quarto para me acordar. É sinal de que eu possuo uma moradia intacta para habitar. Deus,obrigada por eu ouvir e dizer que a comida está quente/fria, sem sal/salgada. É sinal de que eu tenho diversidade e abundância de alimentos para satisfazer o meu corpo. Deus, obrigada por brigar com minhas amigas. É sinal de que eu tenho em quem confiar. Deus, obrigada por me preocupar com elas. É sinal de que eu ainda tenho as pessoas que amo ao meu lado. Deus, obrigada pela chuva e pelo sol. Se os vejo, é porque, mesmo me atingindo, ainda consigo enfrentar os piores momentos. Deus, obrigada por eu perder minhas noites na faculdade. É sinal de que eu tenho acesso à educação. Deus, obrigada por eu reclamar da velocidade da minha internet e da programação da TV. É sinal de que eu tenho acesso à informação. Deus, obri...

Eu? Ou eu?

Todos dizem que sou louco. Mas eu não acho. Ah, mas eu acho! Eu nunca fui de acreditar nas pessoas. Elas mentem a todo momento. E falam verdades também. Sabe por que dizem que sou louco? Porque não entendem o que eu digo. Ora, se não entendem, os loucos são eles. Ou eu. Minha mãe nunca acreditou nessa história de loucura. Ou acreditou? Para ela, o meu problema era outro: dupla personalidade. Mas isso seria possível? Eu nunca acreditei. Pois eu acredito! Disseram-me que, independentemente de qual fosse o meu problema, eu deveria procurar um médico. Psiquiatra. Eu sou louco? Eu sou! Para que ninguém continuasse falando, fui. Acreditem: chegando lá, eu até gostei do lugar. Eu não! Tinha até uma cama! Não era cama, era um divã, seu burro! O doutor chegou. Chamava-se Lucivaldo. Que nome estranho. Eu gostei! Conversa vai, conversa vem. A pergunta derradeira: Você acha que está louco? Sim, doutor, eu estou louco. Mas quem é esse que diz eu estou louco...

Comemorações - 2.1

Ao contrário de muitos, eu sempre adorei o dia do meu aniversário. Quando criança, a diversão era ganhar os presentes, ou seja, eu gostava, mesmo, do dia da festa. Hoje em dia, eu gosto do dia 05 mesmo. Acima de tudo, é ótimo lembrar que Deus me deu a oportunidade de viver mais um ano. Além disso, o carinho que as pessoas transmitem para você é maravilhoso. Esse ano, teve uma junção: a Cristina, minha amiga, que faz aniversário um dia depois que eu. Dá para imaginar que comemorar junto nem passou pela nossa cabeça, não é mesmo? Posso dizer que, esse, foi um dos melhores aniversários que eu já tive. Além de todas as comemorações, presentes, felicitações, teve o nascimento do Gustavo, no dia 04, e a uma notícia maravilhosa, logo no comecinho do dia 05. Ou seja, a felicidade foi, no mínimo, 2 vezes maior do que o comum. Com a chegada do Gu, chegaram as comemorações. Na sexta, rolou uma sessão básica de Bones aqui em casa com a minha amiga querida, Ci. A noite - ou melhor, madrugada - uma ...

Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo

Eu sigo a Canção Nova pelo twitter,mas confesso que são raras as vezes que visito o blog deles. Mas este post me chamou a atenção pelo nome, o mesmo que intitula esse post. No primeiro momento, eu gostei pelo fato dele ser muito bonito, bem escrito e ter feito uma relação que, por mais que, como católica, eu possivelmente tenha feito inconscientemente, conscientemente eu nunca havia parado para pensar. Já quando o li pela segunda vez, depois de alguns acontecimentos ao longo do dia, meu olhar se voltou para detalhes profundos, os quais me fizeram refletir. Alguns desses trechos eu colocarei a seguir, mas recomendo a leitura do mesmo por inteiro. " Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro." Eu amo meus amigos pelo que eles s...

Dia da nostalgia

Hoje foi o dia da nostalgia. Mesmo eu acreditando que amanhã será mais ainda. Começou com a minha conversa normal com a minha amiga Bruna. Ela começou, ano passado, a estudar na mesma escola que eu fiz meu Ensino Médio. Por mais que muitos professores sejam diferentes - o que me deixa, sempre, com uma sensação de desconhecimento - nós ainda trocamos muitas 'figurinhas' a respeito dos que temos em comum. Esse ano, ela terá meu professores favoritos, os que mudaram, realmente, minha vida. Ela tem a Sis que, sem dúvida, foi quem mais me incentivou e que mais influenciou a minha decisão de ser professora - é uma das poucas que tenho contato até hoje e por quem eu nutro um carinho mais do que especial. Depois, olhando o blog da minha companheira de faculdade, Valéria , veio a saudade da faculdade. Como eu disse e continuo dizendo, sorry, mas eu não sinto lugar daquele lugar e nem da maioria das pessoas. Tirando a Val e a Anna, minha orientadora, as pessoas pelas quais eu realmente p...
You going to ask me about God and the Devil? Yes. You're going to ask me how God can place such a burden on good people? No. I'm going to ask you how you still belive in a kind God after a case like this. Was my faith shaken? Yeah. Mhmm.It is. It is? Yeah.I'll go home tonight and I'll lie in bed and I'll toss and I'll turn and I'll beat myself up. And, uh, I'll question everything. Will you get your faith back? Always have in the past. So you have faith that you will retain your faith? Why? Because, Bones, the sun will come up and tomorrow's a new day. I know that feeling. Really? Mm-hmm. You know what it feels like to get your faith back? When I see effects and I'm unable to discern the cause, my faith in reason and consequences is shaken. Then what happens? Two plus two equals four. I put sugar in my coffee and it tastes sweet. The sun comes up because the world turns. These things are be...

Sua assombração

Tudo para ela era tão distante. De longe conhecia tudo o possível sobre ele. Sabia quando chegava, quando partia, seus gostos, seus gestos, sua fisionomia. Sabia, mais do que ninguém, o quão enormes eram os intervalos de sua presença. Semanas, até mesmo meses sem aparecer. Quando, finalmente, ela acreditava que não mais o veria, e já até havia tirado-o de mente, pelo menos durante boa parte do tempo, ele aparecia. Um fantasma. Seu fantasma, sua assombração. Nessas horas, seu coração pulava, sua voz mudava. A alegria e ansiedade tomavam conta dela. Não conseguia se concentrar, e por grande parte do próximo intervalo até o seu retorno, isso continuava. Em alguns momentos sentia-se estranha, ridiculamente boba. Mas eram segundos. Mesmo tempo de contato que teve. Segundos. Tempo suficiente para um toque, uma viagem ao seu próprio mundo, onde tudo era diferente. Segundos. Tempo suficiente para o distanciamento do toque, uma viagem de volta ao mundo real, onde tudo era como ela não queria....