domingo, 27 de julho de 2008

O quer dizer CATIVAR?

"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E
então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"



Trecho do livro "O pequeno príncipe", de Saint-Exupéry

Comentários(relacionados ao post):

1- Quem nunca leu esse livro, não pode deixar de faze-lo. Ele é, simplesmente, um dos livros indispensáveis para qualquer pessoa. Todos devem ler, e, se possível, várias vezes ao longo da vida, pois, realmente, a cada vez que lemos, percebemos as coisas de uma maneira diferente.

2- Nós realmente precisamos cativar as pessoas; fazer elas perceberem que são ouvidas, percebidas, que são importantes para alguém. Precisamos faze-las acreditarem em nós, confiarem em nós. E, sim, somos responsáveis pelo que fazemos depois. Quando cativamos uma pessoa, ela espera ser tratada bem, receber carinho, atenção; ser escutada; tornar-se amiga. Se não respondemos a altura disso, acabamos por decepcioná-la. Nunca conseguiremos ser como os outros querem que sejamos, mas podemos tentar ser sempre o melhor de nós, pois assim teremos feito a nossa parte.


Comentários(não relacionados - ou relacionados indiretamente - ao post):

1- O post anterior foi um desabafo. Já está tudo resolvido, graças a Deus! E espero que continue assim pra sempre! =]
2- Já estou melhor, graças a Deus, também! Não foi nada grave, passou rapidinho. Mas que é horrivel, isso é mesmo!
3- Valérinhaaaa...Adoreiiii as suas sugestões. Foram ótimas. Não as segui naquele momento, mas vou guarda-las para outras oportunidades! =)
4- Esse post é em homenagem a meu fim de semana maravilhoso, na companhia de pessoas que eu simplesmente adorei conhecer! Vamos até o fim juntos e estaremos todos lá no último módulo! Com certeza eu aprendi e vou aprender muito com vocês! Obrigada por tudo!

quinta-feira, 17 de julho de 2008



"Tem hora que bate uma tristeza tão grande
Que eu não sei o que fazer e nem pra onde ir
Há tanta coisa que eu queria dizer
Mas não tem ninguém pra ouvir
E eu choro
Sem ninguém ver
E eu choro"



Música "Choro" de Bruno e Marrone
Hoje eu descobri váriasss coisas importantes. Algumas muito tristes, outras muitooo doloridas, outras muito incomodas...enfim, todas elas muito importantes.

As duas primeiras foram: A importancia de se ter um óculos de sol(bom) por perto e o que é "Ulcera de cornea". Posso garantir uma coisa: esta, sem o primeiro, é dolorida demais!
Essa doença é uma perfuração causada por um virus ou bactéria, ou por um traumatismo. A suspeita é que a minha seja causada por um traumatismo(dá nisso você ter rinite alergica e ficar coçando o nariz a todo instante). Espero que seja mesmo, porque a médica disse que esse é o caso que dá menos trabalho para tratar. E eu não vejo a hora de me livrar desse incomodo. É horrivel. Parece que tem um cisco permanente no olho. Fora que qualquer luizinha provoca uma dor insuportável(sim, eu estou aqui. Sim, o monitor tem luz. Detalhes: o brilho do monitor está quase zero e o oculos de sol está no rosto desde cedo =] ). Viram como o oculos de sol é importante. Agora, a pior coisa é que eu não tenho um,bom. Tive que pegar emprestado da minha mãe. O pior é que ela dirije e vai precisar oculos. Nem quero pensar.

A outra coisa que eu descobri foi que uma amizade as vezes é mais importante do que a gente supunha e que ela ser quebrada ou machucada doi mais do que se podia imaginar. É impressionante como uma pessoa(ou duas, nesse caso) podem ser mais importantes do que a gente supunha e do que elas também supunham. Pena que elas não acreditam que eu realmente considerava-as como amigas.
E com isso eu aprendi outra coisa muito valiosa: NUNCA pre-julgar e ,principalmente, pre-condenar alguem. Isso doi. Muito. De alguma maneira eu já sabia disso, mas sempre que a gente vive a situação na pele, as coisas ficam bem mais claras.

Parodiando o Pedro Bial: "Se eu pudesse dar somente uma dica sobre o futuro, seria este: tenha sempre um bom óculos de sol por perto!"

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Intromissão


Metódica, sistemática, e morando sozinha, a mulher cultivava pequenos prazeres, aos quais se dedicava nos fins de semana. Um deles era ler. Lia bons livros, sem dúvida, mas tinha uma queda especial pela leitura de revistas. E suas preferidas eram as revistas estrangeiras, de viagem ou decoração. Aqueles mundos coloridos a deixavam encantada, tinham o poder de transportá-la para muito, muito longe dali.
Suas tardes de sábado eram um ritual: recostava-se na cama e se dedicava a folhear as revistas que comprara na véspera, na simpática loja 24 horas a poucos metros de seu prédio. Começava pelo cheiro. Fechava os olhos e levava uma das revistas ao nariz. Não era só o odor da tinta ou do papel. Aquelas revistas estrangeiras tinham o cheiro de outra dimensão, com a qual a mulher, flutuando em sua cama, sonhava. O perfume que emanava das páginas fazia com que uma pequena fração daqueles mundos de fato se materializasse para ela. Depois, era o tato. Abria os olhos e começava a folhear as páginas, bem devagar. Sentia um prazer físico em deslizar as pontas dos dedos pelo papel brilhante, como se apreendesse na pele as cores, as imagens. Era uma delícia.
Mas para que tudo isso acontecesse, para que pudesse aproveitar por inteiro a sensação de estar sendo transportada, precisava de uma coisa: silêncio. Enquanto folheava suas revistas, a mulher não ligava nem televisão, nem som, nada. Qualquer interferência sonora desfazia o encanto.
E foi assim - assim como uma intromissão - que encarou o ruído que de repente lhe chamou a atenção naquela tarde. Não que a assustasse, de forma alguma, parecera-lhe até banal. Mas era um som e, como tal, capaz de atrapalhá-la em seu momento de relaxamento. Um som surdo, continuado, insistente.
A princípio tentou não pensar nele. Fixou bem os olhos na página dupla da revista que mostrava uma praia das ilhas Seichelles, com um mar azul transparente e pedras de um formato estranho, estriadas, parecendo lagartos ao sol. Mas o som intermitente começou a crescer, a encorpar-se, clamando por atenção, desconcentrando-a, quase como se a provocasse. Passou mais uma página. As ilhas, o paraíso. Era ali que queria estar, era para lá que se transportaria - por que o som não a deixava? Uma terra distante, um mundo perfeito, tão diferente do seu, um lugar onde talvez jamais estivesse só. Apenas o som a puxava de volta.
Irritada, fechou a revista. E nesse mesmo instante, num segundo - como um jato ou uma bofetada - compreendeu o que aquele som significava. Os baques surdos, compassados, deram-lhe de repente a dimensão da solidão em que vivia. Eram as batidas de seu coração.

Autora: Heloisa Seixas.

*Heloisa Seixas é uma das autoras da Literatura Brasileira Contemporanea que descobri há pouco tempo. Ela transmite os sentimentos, as emoções e os detalhes de uma riquissima e inesperada. Vale a pena a leitura de seus textos, principalmente dos "Contos mínimos".

terça-feira, 8 de julho de 2008


....E então, naquela manhã,Deus compareceu ante suas doze crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida humana. Uma por uma, cada criança deu um passo à frente para receber o Dom e a função que lhe cabia. PEIXES, venha cá... "A ti Peixes, não foi a toa que te deixei por ultimo, pois te dou a mais difícil de todas as tarefas. Peço-te que reunas todas as tristezas dos homens e as tragas de volta para Mim. TUAS LÁGRIMAS SERÃO,NO FUNDO,MINHAS LÁGRIMAS. A tristeza e o padecimento que terás de absorver são os efeitos das distorções impostas pelo homem à Minha Idéia, mas cabe a ti levar até ele a compaixão, para que possa tentar de novo. SERÁS TUA A MISSÃO DE AMPARAR E ENCORAJAR A TODOS OS TEUS IRMÃOS,FAZENDO-OS ACREDITAR QUE ELES SÃO CAPAZES,E SEMPRE PODEM TENTAR NOVAMENTE. Por esta tarefa, Eu te concedo o Dom mais alto de todos: TU SERÁS O ÚNICO DE MEUS DOZE FILHOS QUE ME COMPREENDERÁS. Mas este Dom do Entendimento é só para ti, Peixes, pois quando tentares difundi-lo entre os homens eles seguirão e poucos te escutarão." E entre todos, Peixes, FOI O ÚNICO QUE VOLTOU AO SEU LUGAR SORRINDO CARINHOSAMENTE PARA CADA UM DOS SEUS ONZE IRMÃOS,SABENDO QUE CADA UM DELES AGORA TINHA SE TORNADO PARTE DA SUA VIDA. Naquele momento ele já amava a cada um deles profundamente. E AGRADECEU A DEUS TANTA HONRA POR MISSÃO TÃO DIFICIL...


Principal Característica: a SENSIBILIDADE


Qualidade: a DOAÇÃO nas amizades e perante a vida


Defeito: tendência a FUGA quando sofre.



  1. Porque os últimos serão os primeiros; peixes é o melhor signo do zodiaco, e eu,assim como a personagem do conto "O poder das palavras", fugo do meu sofrimento me aventurando na escrita. E,sim, eu concordo com tudo o que está escrito, tanto as qualidades, quanto os defeitos!

  2. Post dedicado a minha amiga Gisa,porque nós somos irmãs gêmeas, de alma,signo e coração! Amo você!


segunda-feira, 7 de julho de 2008

O poder das palavras - Parte 2


Foi numa noite chuvosa, com um lua maravilhosa. Estava pronta para visitar uma amiga no Rio de Janeiro. Como moro em São Paulo e detesto viajar de ônibus, comprei minha passagem área com uma grande antecedência. Estava tudo pronto. Pegaria o avião às 18h;Pedi a um amigo que me levasse até o aeroporto e combinei dele passar em minha casa por volta das 15h. Da minha casa até o aeroporto, a distância é equivalente a uma hora de viagem. Por via das dúvidas, preferi combinar cedo.Era preferivel ficar esperando,do que não conseguir pegar o avião.
Por causa da chuva, meu amigo não conseguiu sair de casa. Droga! Vou ter que ir de taxi!
Depois de quase uma hora, o carro chegou.
- Dona,desculpe a demora, mas sabe como é né? Esse trânsito. Ainda mais com essa chuva. É quase impossivel chegar rápido. - disse o motorista.
-Tudo bem - respondi, pensando no que eu tinha a ver com aquilo. Se ele tinha dificuldade de chegar até a minha casa, a empresa que enviasse algum outro motorista.
Primeira rua, tranquila. Segunda rua, tranquila. Terceira rua, começando a parar. Quarta rua, andando bem devagar. Quinta rua, impossivel de andar!
Pronto, lá vamos nós de novo. Não vou conseguir chegar nunca ao aeroporto?
Já eram 17h quando paramos no transito. Tenho uma hora para chegar lá! E esse carro não anda!
Seis horas. Não vai dar tempo!
- Moço, mudança de planos. Me leva pra rodoviária!
Sabia que isso ia acontecer. Sempre que eu resolvo tudo direito com antecedencia,as coisas não dão certo.

domingo, 6 de julho de 2008

O Gigante Adamastor


Como pode um peixe vivo
Viver fora da água fria?
Como pode um peixe vivo
Viver fora da água fria?
Como poderei viver?
Como poderei viver?
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia?




Post especial por dois motivos:
  1. A saudade da Helena e do circo foi diminuida, mesmo que muito pouco, hoje. Isso já me fez ganhar a dia. E ela, como sempre, estava linda! Ponta maravilhosa - mesmo de improviso - , fita perfeita - mesmo que o Caio tenho dito que enrolou -, Gigante maravilhoso - mesmo não sendo o seu papel - , e voz linda - mesmo ela estando rouca! Amo por demais e sinto muitas saudades de não te-la mais todas as sextas feiras brigando comigo! "Vai moleza"!/
  2. Pra lembrar que o Camões não larga do meu pé nem nas férias! Depois de um semestre sendo minha companhia, achei que ele me daria férias, e me deixaria longe, pelo menos por um tempo,antes de um novo encontro. Mas o destino nos uniu bem antes do imaginado! Ainda bem que foi um encontro bom!

sexta-feira, 4 de julho de 2008


Hoje foi mais um dia muito bom para observação. Num passeio por um dos eventos mais agitados dessa época - o Inverno Quente - aproveitei para fazer mais do que ver barraquinhas e comer(claro que isso também estava na lista de tarefas!): passei a observar o comportamento das pessoas.
Eu não sou tão velha assim, mas, nesses momentos, tenho impressão que nasci há mil anos atrás - que nem diria Raul Seixas. Ai eu lembro que não, que eu nasci somente há 19 anos e que o mundo, sim, é que ando mais rápido do que o suportado pelas minhas pequeninas perninhas. Eu não lembro de,com 10,11 anos, vestir roupas minusculas e me portar e querer viver que nem uma adulta. Até hoje ainda vivo mais como criança do que como adulta! Quando eu tinha essa idade as minhas únicas preocupações eram a escola, as bonecas e os passeios até o centro da cidade com a minha madrinha e minha avó. E já eram grandes problemas para mim! Mas eu vivi bem assim. Era uma época ótima da qual guardo as melhores lembranças.
Mas as nossas crianças e jovens da atualidade(me sinto tão velha dizendo isso!) não são mais assim. Por que eles querem tanto pular essa fase tão boa da vida? Talvez a resposta seja que, ao contrário do que deveria ser, quando eles crescem - ou fingem que crescem - não se enchem de responsabilidade, maturidade, compromisso...todas essas coisas que sempre dizem que chegam junto à fase adulta. Continuam crianças, só que grandes. Ai, o mundo fica como está.
Sim, quando eu tiver um filho eu vou vesti-lo com roupas bem coloridas,vestidinhos super coloridos, cheios de babados, blusa de bichinho...vou levá-los pra correr na praia, brincar de amarelinha,dançar quadrilha,brincar de ciranda,de melissa...todas essas coisas que são destinadas às crianças. E espero que eles sejam bonzinhos e aproveitem bem tudo isso!


"Lutei para escapar da infância o mais cedo possível. E assim que consegui, voltei correndo pra ela." Orson Welles