domingo, 31 de janeiro de 2010

Sua assombração

Tudo para ela era tão distante. De longe conhecia tudo o possível sobre ele. Sabia quando chegava, quando partia, seus gostos, seus gestos, sua fisionomia. Sabia, mais do que ninguém, o quão enormes eram os intervalos de sua presença. Semanas, até mesmo meses sem aparecer. Quando, finalmente, ela acreditava que não mais o veria, e já até havia tirado-o de mente, pelo menos durante boa parte do tempo, ele aparecia. Um fantasma. Seu fantasma, sua assombração.

Nessas horas, seu coração pulava, sua voz mudava. A alegria e ansiedade tomavam conta dela. Não conseguia se concentrar, e por grande parte do próximo intervalo até o seu retorno, isso continuava. Em alguns momentos sentia-se estranha, ridiculamente boba. Mas eram segundos. Mesmo tempo de contato que teve. Segundos. Tempo suficiente para um toque, uma viagem ao seu próprio mundo, onde tudo era diferente. Segundos. Tempo suficiente para o distanciamento do toque, uma viagem de volta ao mundo real, onde tudo era como ela não queria.

No último intervalo, tudo ficou pior. Sua mente não conseguia se distanciar, não conseguia esquecer aquela mão, aquele toque. Não queria esquecê-lo. Não podia esquecê-lo. Semanas, meses, anos. Tempo suficiente para esquecer. Tempo. Para ela, não fez diferença. Era impossível esquecer aquele olhar, aquele toque, aquela voz. Ele sempre foi e será o seu fantasma. A sua assombração.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Filmes e livros das férias

Férias acabando - pelo menos as estudantis. Sim, lá vou eu encarar outra faculdade. Fotografia. Amei a idéia! Confesso que não foram as minhas férias mais produtivas na vida. A preguiça tomou conta do meu ser, e quase nada de realmente útil saiu. Mas consegui fôlego para ler um pouco e assistir muitaaa coisa! Aqui vão minhas melhores dicas:

Livros:

Os dois livros que li - ou estou lendo - nas férias merecem a indicação. Primeiro, um bem conhecido e cuja a história me apaixona, mas nunca havia lido-o: Alice no país das maravilhas. Impulsionada pela curiosidade crescente, unida a vontade de ler o texto original antes de assistir a nova versão da história feita por Tim Burton para a Disney e a qual estreará em abril por aqui, tomei coragem, comprei o livro e li. Confesso, novamente, que a preguiça me abateu em alguns momentos, e acabei levando mais tempo do que imaginava para ler. Mas posso garantir: é uma leitura fantástica! O texto é maravilhoso e foi melhor ainda por eu já ter 'esquecido' a maior parte dos elementos visuais impostos pelo desenho. Há muito tempo não assisto Alice e isso ajudou a minha criatividade a funcionar melhor, sem limites, o que é maravilhoso! Mais do que recomendada a leitura!
O segundo, ainda estou lendo. Ganhei de amigo-secreto da minha querida amiga Normanda: Death du Jour, segundo livro da Kathy Reichs. Esse foi a minha grande surpresa. Não que eu não soubesse que a Kathy é uma excelente escritora, mas o livro está em Inglês e, por mais que eu tenha melhorado muito em relação a essa língua, eu nunca havia me aventurado na leitura de um 'real book' em Inglês. Literatura mesmo. Policial. Cheia de palavras típicas. Vocabulário que eu nunca ouvi na vida. E foi. Está indo. Quase 100 páginas em menos de dois dias. Para um livro em Inglês, até que é muito! Ótimo livro. Vale muito a pena!

Filmes:

Eu assisti muita coisa nessas férias. Atualizei-me em algumas séries, assistir, mais uma vez, as primeiras temporadas de Bones, e vi muitos, mas muitos filmes!
Um deles foi "500 days of Summer". Não sei se já comentei sobre ele aqui,mas, sem dúvida, tornou-se um dos meus filmes favoritos. Dos últimos tempos, é o favorito, posso garantir. A primeira vez que eu assisti, a única coisa que me impulsionava era o fato dele ser estrelado pela Zooey Deschanel. Mas, depois de poucos minutos, era um filme completo. História, fotografia, estilo, atores. Tudo em sintonia. Tudo ótimo. E, melhor: sem nenhum convencionalismo. Detesto filme que eu adivinho o final no meio da história. Piores os que eu já começo assistindo, sabendo como vai acabar. Taí a grande graça do filme. Talvez você até adivinhe o que acontece no final, mas, com certeza, o final é bem diferente de todos os outros filmes desse gênero.
Além desse, um outro filme, também com a Zooey, que me chamou muito a atenção foi "The happening"(Fim dos tempos). Esse não é meu estilo favorito de filme, e assisti, novamente, pelo simples fato de ser com a Zooey. E, mais uma vez, surpresa! Ótimo filme. Conseguiu prender minha atenção como há muito nenhum outro conseguia. Vale muito a pena assistir.
Minha última dica: Tomates verdes fritos. Sempre ouvi falar desse filme, mas nunca tive curiosidade de assistir. Até comprar, meio que sem querer, numa promoção, o DVD. Primeiro de tudo: o elenco. Excelente. Só em casa descobri que quem estrelava o filme era a Mary-Louise Parker, atriz pela qual eu também sou 'apaixonada'. Se eu já a admirava por "Weeds", ela superou minha admiração nesse filme. Ótimo trabalho. Além de tudo, a história do filme é muito boa, muito bem contada. Detalhes que te fazem pensar. Adoro filme assim. Melhor aquisição das férias.

E, vocês, alguma sugestão?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O nome

Um rosto. Uma marca. Um olhar.

No início tudo era somente curiosidade. Who are you?

Passou a falar em sua direção. Palavras mudas. Palavras diferentes das quais realmente queria dizer. I need you!

Por tempos e tempos, palavras estranhas saiam de sua boca. Sem sentido. Sem sentimento. Vazias. I need you!

Até o momento em que a direção foi quebrada. As palavras sem sentido passaram a, naquele momento, serem sem direção. Palavras ao vento, perdidas, procurando um rosto, um olhar...um porto para, enfim, ancorarem. Mas não existia. Where are you?

Silêncio. O rosto solitário caminha pela multidão, rumo ao seu ponto inicial. How could you change my life and, after this, just leave it?

Quando o olhar finalmente retorna, não mais existem palavras, não mais existe direção. Everything change. Silêncio. Palavras cortadas, olhares distanciados.

Conhecia seu rosto, seu corpo, suas marcas, seu olhar, seu andar, sua voz...tudo, menos o que realmente sempre quis saber, e nunca saberá: a identidade daquele que transformou sua vida para sempre.

Terremoto no Hiti e perda de Zilda Arns


Uma semana. Tempo decorrido desde essa tragédia. Tempo que levei para me convencer a escrever esse post. Tardei, mas não falhei. Tardei por vários motivos. Até hoje não sei se os superei, mas tive e tenho certeza, hoje, de que é necessário. O adiamento desse escrito veio devido a falta de coragem de pensar em toda essa tristeza e, acima de tudo, a incerteza na existência de palavras que pudessem expressar tudo isso.
Com certeza, toda essa tragédia é dura demais. Muita tristeza, sofrimento, perdas. Lágrimas, sangue. Eu, na minha humilde humanidade, não consigo ter coragem para acompanhar as imagens e nem todas as notícias. Surge um desespero, um sentimento de incapacidade, de não poder fazer nada. Ao mesmo tempo, um medo, medo de que ocorra tudo
isso aqui, comigo, com minha família, meus amigos, meus amados. Como disse o padre, hoje, essa tragédia afetou a todos nós, mas, quando tudo acontece ao nosso redor, com os nossos, tudo fica pior. É por isso que, acima de falar da tragédia, dedico esse post à Dr. Zilda Arns.
Não, eu nunca a conheci pessoalmente. Na verdade, até poucos anos, eu não fazia idéia de quem essa mulher fosse. Mas, assim como milhares de outras pessoas, faço parte de seu trabalho maior, a Pastoral da Criança.
Todos sabem a importância que a missão de D. Zilda teve, tem e sempre terá para o mundo, mas quem convive com esse trabalho vê, mais do que ninguém, como é decisivo que, todos nós, voluntários, sigamos com o projeto de D.Zilda. Assim como Jesus, ela deu a vida, literalmente, pela paz no mundo, pela diminuição da desigualdade, pelo fim da pobreza, da fome, da desnutrição. Ver, a cada pesagem, a criança ganhando peso, livrando-se da linha de perigo, saindo da zona de desnutrição, é um sentimento que não pode ser descrito. Saber que, de alguma maneira, essa criança terá uma vida um pouco melhor, é maravilhoso. Tudo isso, essa vontade de ajudar ao próximo, deveria ser algo intrínseco ao ser humano, mas não é. E são os exemplos, como o de D. Zilda, que fazem com que lembramos que esse é o nosso dever, essa deve ser a nossa atitude.
Tenho certeza que, lá de cima, D. Zilda ainda ficará muito feliz por ver muitas de suas crianças vivendo, nutridas, felizes, graças a sua iniciativa, a sua vontade de fazer um mundo melhor.
No momento que eu soube de sua morte, disse uma frase, em tom de brincadeira, mas que é a minha mais profunda crença: Essa, foi direto para o céu! E é de lá que, com certeza, ela continuará acompanhando e apoiando o belo trabalho da Pastoral da Criança.
Para terminar, deixou a foto abaixo, com o belissimo significado, a qual recebi por e-mail, que ilustra a igreja na qual D.Zilda faleceu. Se repararem, tudo está destruído, mas a cruz que ficava a frente da igreja, permanece intacta:

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Músculo Coração


Esse músculo que fica comprimido quando sofre de amor e que parece não caber dentro do peito quando se está amando e que realmente controla todo o ser, pois sem ele o Amor não teria lugar para se fixar em nós.
Músculo que bombeia sangue para todo o corpo. Sangue cheio de paixões e amores que transmitirá para todo o corpo aquilo que o ser tem de mais bonito.
Esse músculo é fundamental na vida, por isso, guarda a essência da vida que é o Amor.
Músculo que se contrai e relaxa todo o tempo. Contrai-se quando se sofre e relaxa quando se ama!


Explicação para o texto:

Acabei de encontrar essa 'relíquia'. Esses dias pensei nesse texto, mas acreditava que não mais o tinha. Mas ai está. Eu o escrevi no primeiro ano do colegial. Ele não é perfeito, nem super criativo, mas, para a época, eu me senti super orgulhosa dele - e o professor da optativa para a qual ele foi escrito também =] Eu lembro que no momento em que o li para a platéia eu tremia tanto que eu realmente fiquei com muito medo de não conseguir terminar. Mas deu certo, no final!

Primeiro encontro de 2010!


Logo no comecinho desse blog, mais precisamente no dia 24 de junho de 2008, portanto, há quase dois anos - como o tempo passa rápido! - eu postei aqui a primeira foto, do primeiro encontro, que tivemos com a Ju Goes. Aquele foi um dia de conhecimento, de descobertas, ansiedade, mas, acima de tudo, e numa visão que agora temos muito mais do que antes, foi um dia de começo. Começo de amizades, de contatos, de diversão...começo de uma família.
Ontem tivemos nosso primeiro encontro do ano e, como sempre, foi maravilhoso. Montamos um grupo 'pequeno', mas super unido e amigo. Tudo fica extremamente divertido com eles. Nunca é a mesma coisa e essa é a graça. Não tem como ir num encontro com esse pessoal e não sair sentindo a alma mais leve e com a certeza de que se divertiu demais!
Ontem, mesmo com a chuva fortissima e ininterrupta - e com alguns encharcados por causa disso! - nem vimos o tempo passar. Foi maravilhoso!
Esse post é só pra marcar que, Graças a Deus, estamos juntos há quase dois anos e vamos continuar assim. Adoro todos!
E, para finalizar, a fotinho da 'geral' ontem: